Emprego e Salários – Apresentação

A economia mundial apresenta sinais de recessão desde a crise de 2008, que vem afetando diretamente a economia brasileira a partir de sinais recessivos que influenciam negativamente os indicadores do mercado de trabalho nacional. Acredita-se, contudo, que o mercado de trabalho no país também sofreu e está sofrendo influências diretas da instabilidade política vivida ao longo dos últimos anos, como indicaremos ao longo do texto. Ao mesmo tempo, há que se destacar, mesmo que ainda de forma embrionária, as sinalizações envolvendo reformas e flexibilização nas leis trabalhistas, que, conforme indicado pela imprensa, alterarão profundamente as relações de trabalho na economia brasileira com perdas de direitos sociais e trabalhistas.

IBGE – PNAD Contínua 

A PNAD Contínua é um indicador calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que dentre outras características, mede a inserção da população brasileira no mercado de trabalho e a sua renda. Possui periodicidade mensal, sendo analisada por meio de trimestres, sejam fixos, dividindo o ano em quatro períodos, ou móveis, correspondendo ao mês da pesquisa e aos dois meses anteriores. Para esta análise, serão utilizados os dados dos dois últimos trimestres fixos, correspondendo, portanto, ao primeiro semestre de 2016 (jan-jun/16),bem como ao período correspondente de 2015 (jan-jun/15).

Desde 2014 o Brasil vive em meio a um contexto de crise capitalista mundial e, internamente, de instabilidade político-econômica que se intensificou em 2015, impactando a taxa de desocupação nacional, que por sua vez, não coincidentemente, vem em constante crescimento a partir do final de 2014. Ao ver os dados da PNAD temos a comprovação: a taxa de desocupação, que no primeiro trimestre de 2015 era de 7,9%, corresponde atualmente a 11,3% da população economicamente ativa um crescimento de 3,4 p.p..

Esta evolução do desemprego, todavia, não é exclusiva do Brasil. Se analisado a taxa de desemprego em países considerados do “centro” do sistema, é notório o aumento da desocupação, muito por causa dos efeitos da crise iniciada em 2008. Em países como o Canadá, por exemplo, a taxa que antes da crise era 6%, chegou a um pico de mais de 8,5% no auge da crise e atualmente flutua em torno dos 7%. Situação mais agravada é a da França, onde no pós-crise a taxa de desemprego também aumentou, desde o final de 2013 se mantém acima dos 10%, próxima aos indicadores brasileiros.

Ao mesmo tempo, nota-se que persiste uma situação, já indicada no Boletim de Conjuntura/Ufes n.54, junho 2016, de que apesar do número de pessoas desocupadas ter aumentado, o numero de trabalhadores por conta própria também aumentou no período do segundo trimestre de 2015 ao segundo trimestre de 2016. Vale lembrar que, na metodologia do IBGE para a pesquisa da PNAD Continua, os trabalhadores por conta própria, que representam o principal núcleo da informalidade, são considerados ocupados. Ao analisar os dados do segundo trimestre de 2016 (abr-jun/16) em relação aos do trimestre correspondente de 2015 (abr-jun/15), vê-se um aumento de 3,88% nesta categoria. Essa situação é relativamente normal em momentos de crise econômica, em que as pessoas buscam na informalidade uma forma de amenizar as consequências do desemprego. Porém, do primeiro para o segundo trimestre de 2016, essa categoria de trabalho apresentou uma queda de 1,1%. Essa mudança se dá possivelmente pelo fato de que o mercado informal está demonstrando sinais de saturação, não tendo a capacidade de absorver de forma constante o número de desempregados existentes.

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