Boletim de Conjuntura nº 54 – Apresentação

Boletim de Conjuntura nº 54, junho de 2016

Apresentação

O afastamento da presidente Dilma Rousseff, em 12 de maio deste ano, marca um aprofundamento da orientação do governo central no sentido de atender aos interesses liderados pelos rentistas, apoiados pelo empresariado e por segmentos conservadores da sociedade brasileira. Esses interesses têm forte representação no Congresso Nacional e agora se tornaram praticamente a única fonte de diretrizes no interior do executivo federal.

O consenso entre tais forças é de que é preciso radicalizar o direcionamento das políticas públicas no sentido do mercado, bem como empreender mudanças nas contas públicas e na economia coerentes com essa radicalização. A pressão por ajustes duros nas contas do governo federal, pela retomada das privatizações, pela flexibilização da legislação trabalhista e a reviravolta na política externa do país sugerem que se avizinham tempos sombrios para os assalariados em geral e para os mais pobres.

O governo Temer, a despeito da falta de legitimidade para levar a cabo as mudanças exigidas por tais interesses, encaminha de forma rápida propostas externas, aproveitando-se do vácuo político gerado pelo processo de impeachment. Essas reformas são consideradas pré-condições para uma retomada do crescimento da economia brasileira.

Não obstante os indicadores disponíveis nos três/quatro primeiros meses de 2016 sugerem a manutenção do quadro macroeconômico desfavorável. Ademais, não há qualquer sinal de um caminho crível que aponte para a retomada do crescimento, após a forte retração do PIB em 2015 e a manutenção dessa retração no primeiro trimestre de 2016.

A única mudança perceptível é no campo política, na relação Executivo e Legislativo, com o Congresso passando a atuar de forma relativamente mais cooperativa, votando em certos casos as mesmas medidas que antes se recusava a apreciar. A aprovação de uma “meta” fiscal deficitária de R$ 170 bilhões mostra um legislativo que trabalha agora dentro de um realismo conveniente ao governo Temer.

O governo, por outro lado, lança balões de ensaio na imprensa convencional, envolvendo temas polêmicos do ponto de vista da população. A recriação da CPMF e outras estratégias de aumento da carga tributária é um desses temas. O congelamento real dos gastos públicos é outro e, na temática da previdência, o que se explicita a conta gotas são mudanças que implicarão em perdas sensíveis de direitos para os aposentados do RGPS (Regime Geral de Previdência Social), do funcionalismo federal, bem como para dependentes de auxílios assistenciais.

No que tange a alguns indicadores estratégicos, a inflação, na casa dos dois dígitos no ano passado, arrefeceu o seu ritmo no início de 2016 ante a forte recessão em curso. O desemprego, todavia, segue sua trajetória de crescimento, segundo as várias formas de mensurá-lo, puxada pela maior desocupação na construção civil, na indústria e no comércio. No cenário incerto da economia brasileira, os bancos ampliam as suas reservas em detrimento do que é transformado em crédito, garantindo ganhos nas chamadas operações compromissadas. Por outro lado, a despeito da recessão ter levado à retração do crédito, especialmente das empreasas, os spreads elevados garantem a rentabilidade dos bancos, mais do que compensando a taxa de juros básica alta e a certa elevação da inadimplência.

As contas públicas permaneceram com déficit primário, causando especialmente pela queda da arrecadação e pela explosão das despesas financeiras. As contas externas, da mesma forma, deficitárias, só foram amenizadas pelo pequeno saldo comercial que se explica mais pela recessão do que pela efetiva elevação das exportações. A retração da entrada de capitais especulativos se dá paralelamente a alguma elevação do investimento direto consequente do barateamento dos ativos pré-existentes no país em função da desvalorização cambial. A seguir tais informações são analisadas em maior detalhe.

Boa leitura!

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