Boletim – Nível de Atividade (2º semestre 2017)

Boletim: Nível de atividade

PIB

A economia brasileira apresentou tênues sinais de recuperação econômica no primeiro semestre de 2017, permanecendo na trajetória recessão iniciada em meados de 2014. Essa recessão é considerada uma das mais graves enfrentadas pelo país nos últimos anos. Destaca-se o fato de que, no período de dois anos, a atividade econômica despencou 7,2%, pior número desde a década de 1930, de acordo com a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para alguns analistas, a retomada do crescimento econômico não poderá ser viabilizada por atalhos e reformas emergenciais. O país, nesse sentido, terá um árduo caminho a seguir no que tange a mitigação de suas vulnerabilidades socioeconômicas com o intuito de alçar um desenvolvimento econômico sustentado.

Apesar dos esforços governamentais implementados nos últimos anos, no tocante a recuperação do crescimento nacional, tais como as reformas em curso, a conjuntura econômica não vem respondendo de forma enérgica aos estímulos.

O Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, obteve variação nula na comparação do primeiro semestre de 2017 com igual período de 2016. Essa estagnação do PIB, todavia, veio precedida de uma contração de 2,7% observada no semestre encerrado em dezembro de 2016. Nessa base de comparação, o destaque fica para o desempenho positivo da Agropecuária, com expansão de 15,0%, apresentando a maior variação entre os subsetores do PIB. Já a Indústria e os Serviços caíram, respectivamente, 1,6% e 1,0%.

Dentre as atividades industriais, a Extrativa mineral cresceu 7,8%, seguida pela atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana com variação positiva de 1,9%. Já a Construção Civil apresentou retração de 6,6% e a Indústria de transformação, um dos setores mais estratégicos para a dinamização da economia, amargou uma redução de 1,0%, sendo que ambos os setores apresentaram queda no primeiro semestre do ano.

A agropecuária, por outro lado, apresentou significativa expansão no primeiro semestre (15%), de acordo com as Contas Nacionais do IBGE. Esse saldo positivo da Agricultura viabilizou a variação nula do PIB, uma vez que a maior parte dos demais subsetores que compõe o PIB apresentaram ou resultados negativos ou resultados positivos tênues, incapazes de contrabalancear as demais quedas. Deve-se destacar, todavia, que a agropecuária mostrou variação nula (0,0%) na comparação do segundo trimestre com o primeiro trimestre de 2017, mas também se elevou 14,9% na comparação com segundo trimestre deste ano com o do ano passado, evolução que se deve aos aumentos verificados nas produções de soja (19,7%), milho (56,1%), algodão (9,8%) e arroz (16,3%).

Nos Serviços, apenas as Atividades imobiliárias, com variação positiva de 0,1%, não apresentou resultado negativo. A maior queda se deu em Intermediação financeira e seguros (3,1%).

Na análise da demanda interna, considerando a comparação semestral com igual período do ano anterior, destaca-se a queda de 5,1% da Formação Bruta de Capital Fixo. A Despesa de Consumo das Famílias caiu 0,6%. O que chama a atenção nesse momento de recessão é o recuo acentuado desses dois componentes da demanda que são os principais motores do crescimento. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que se caracteriza por ser um indicador de crescimento sólido da economia, recuou pelo terceiro ano seguido, afetada pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, como máquinas e equipamentos.

A taxa de investimento do país recuou para 16,4%, abaixo do nível de 2015 (18,1%) e o menor número desde 1996. Para alçar taxas de crescimento mais vigorosas, o patamar desejável, segundo analistas, é de cerca de 20%.

Já o componente Despesa com Consumo das Famílias vinha apresentando uma trajetória de declínio, com retração de 1,9% nos últimos quatro trimestres em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa queda de 0,6% na comparação semestral ocorreu,  entre outros fatores, devido às taxas de juros ainda altas, apesar do ciclo de cortes da meta da Selic. A restrição ao crédito é um dos fatores que também contribuiu para esse declínio. Além disso, o que mais impactou negativamente foi a queda da renda e o aumento do desemprego.

Deve-se levar em consideração que o consumo das famílias foi um dos principais catalisadores do crescimento nos últimos anos, subsidiado pela redução dos impostos como IPI para automóveis e para a linha branca de eletrodomésticos. Os saques ao FGTS disponibilizados pelo governo do presidente Michel Temer este ano, por sua vez, não se mostraram suficientes para reaquecer o consumo interno.

Quadro 3.1 – PIB semestral

Taxa de variação do semestre contra igual semestre do ano anterior

              Fonte: Contas Nacionais Trimestrais – IBGE – Elaboração própria.

Em cenários econômicos recessivos como esse que o país enfrenta, podem ser utilizadas políticas de corte keynesiano, uma vez que indicadores, como tais como a taxa de investimento (FBKF) e o consumo das famílias, se apresentam em declínio. Desse ponto de vista o governo seria o único agente econômico capaz de ativar a demanda. Entretanto, o componente que mensura o gasto do governo chamado Despesa de Consumo do Governo, que inclui as esferas municipais, estaduais e federal, apresentou recuo de 1,9% no segundo semestre de 2017 comparado com o mesmo período do ano anterior. Além do mais, a PEC 55, que limita os gastos públicos reflete uma politica fiscal num sentido distinto desse e poderá comprometer ainda mais a demanda agregada.

No que se refere ao setor externo, entretanto, os indicadores tiveram resultado positivo, as Importações de Bens e Serviços apresentaram uma expansão de 2,9%, enquanto que as Exportações de Bens e Serviços cresceram 2,2%.

 

Indústria

A indústria brasileira vem apresentando pequenos sinais de recuperação, em meio à recessão que se abateu sobre a economia do país desde 2015. Se, no acumulado do primeiro semestre do ano, de janeiro a julho de 2017, a produção física industrial havia crescido 0,8%, no acumulado até agosto essa taxa de crescimento passou para 1,5%, até setembro, para 1,6%, e no acumulado dos dez primeiros meses do ano, ou seja, até outubro, o acréscimo do volume produzido pelo setor atingiu 1,9%, todas as comparações levando-se em conta iguais períodos de 2016.

No entanto, tais resultados devem ser analisados com extremo cuidado, levando-se em conta a baixíssima base de comparação, ou seja, o ano de 2016 apresentou uma queda de 7,4% na produção industrial no acumulado de janeiro a outubro. Assim, pequenas melhoras hoje, como as acima mencionadas, devem ser relativizadas, pois se trata de tímidos passos rumo a uma longa trajetória de recuperação ainda por trilhar.

Na pesquisa mensal da indústria por produção física, referente ao mês de outubro de 2017 e divulgada pelo IBGE, setores importantes da atividade industrial, como bens de consumo duráveis e bens de capital, apresentaram taxas de crescimento da ordem de 11,4% e 5,6% no acumulado do ano quando comparado com igual período de 2016. Destaque para a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, que registrou a segunda taxa positiva consecutiva no ano, acumulando alta de 1,1% nos dez primeiros meses.

As principais baixas no acumulado do ano até outubro ficaram por conta da produção de Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 0,7%, produtos Farmoquímicos e famacêuticos (-0,2%), e outras pequenas quedas na produção de alimentos, bebidas, outros equipamentos de transporte e máquinas aparelhos e materiais elétricos.

No resultado positivo da indústria de bens de capital o destaque ficou por conta da produção de equipamentos de transporte industrial e caminhões, ambos crescendo acima de 5% no acumulado do ano até outubro, quando comparado com igual período do ano anterior. Importante frisar a grande força do mercado externo puxando positivamente os números desses subsetores, mas também de uma contribuição mercado interno, porém de menor monta.

Na Tabela 3.1, onde temos o quantum da produção física da indústria brasileira por grandes categorias econômicas, pode-se observar que a indústria geral aponta para um pequeno crescimento da ordem de 1,5% quando comparados os resultados do acumulado dos últimos doze meses com igual período anterior.


Comércio

O comércio varejista brasileiro apresentou, de acordo com o IBGE, no acumulado do ano de janeiro a julho de 2017, um crescimento de 0,3%, sendo esse o primeiro índice positivo desde janeiro de 2015. Tal resultado dá continuidade a uma diminuição no nível de quedas, o que talvez retrate o início de uma lenta retomada na economia.

Esses números foram impulsionados, principalmente, pelos subsetores de tecidos, vestuário e calçados e de móveis e eletrodomésticos, que demonstraram um crescimento de 7,1% e 6,8%, respectivamente.

Em relação ao acumulado de 12 meses, julho de 2016 a julho de 2017, o índice ainda é negativo em 2,3%.  Entretanto, apesar de todos os subsetores novamente apresentarem taxas negativas, há uma tendência de crescimento, especialmente, quando se avalia os mesmos subsetores que tiveram resultados positivos no acumulado do ano. Quando comparado aos meses imediatamente anteriores, é perceptível que o ritmo de quedas vem reduzindo, sendo esse o melhor resultado desde setembro de 2015.

Analisando o comércio varejista ampliado, no acumulado do ano de janeiro a julho deste ano, observa-se também um avanço positivo, de 1,1%, mostrando uma continuidade no crescimento, iniciado em junho, quando apresentaram os primeiros índices positivos do ano. Apesar de o subsetor veículos, motocicletas, partes e peças ter caído 2,6%, o subsetor de material de construção, que apresentou um crescimento da ordem de 5,6%, conseguiu aumentar o índice geral.

Já no acumulado de 12 meses, o comércio varejista ampliado ainda apresentou queda, em 2,8%. No entanto, é a menor queda desde janeiro de 2015. Avalia-se também o fato de que, no acumulado de 12 meses, ainda há influência negativa dos dados de 2016.

A mídia otimista avalia os bons resultados do acumulado do ano como um sinal de retomada sustentada do crescimento da economia. Além disso, apontam influências positivas como a liberação de parcelas do FGTS e o crescimento da massa real de rendimentos, divulgado pelo IBGE. Tais fatores podem ter estimulado as vendas no varejo, principalmente dos subsetores que mais dependem dos trabalhadores assalariados, como tecidos, vestuário e calçados, móveis e eletrodomésticos e artigos de uso pessoal e doméstico. Ainda, a queda da inflação e a baixa da taxa de juros também são apontadas como motivos para a melhoria do comércio.

Quando se avalia, separadamente, o comércio de eletrodomésticos, que, no acumulado do ano, teve um crescimento bastante expressivo, 7,2%, apontam-se motivos diversos. Relacionam-se à queda nos preços do eletroportáteis, que substituem alguns equipamentos de maior valor, e ao desligamento do sinal analógico de TV, iniciado em 2016, que estimulou a compra de televisores.

Observando o volume de vendas por região, no sudeste, Minas Gerais foi o único estado a apresentar, no acumulado do ano, índice positivo, 3,8%. No nordeste, apenas três unidades federativas obtiveram alta, Maranhão, 2,4%, Pernambuco, 3,9%, e Alagoas, 7,5%. Nas regiões norte e centro-oeste, somente Amapá, Amazonas e Mato Grosso apontaram resultados positivos, 2,7%, 5,5% e 2,1%, respectivamente. Já na região sul, todos os estados apresentaram índices positivos, com destaque para Santa Catarina, que mostrou um crescimento de 13,1%.

A receita nominal do comércio, no acumulado do ano e dos 12 meses, também cresceu em relação ao mesmo período do ano anterior, 1,8% e 2,8%, respectivamente. No entanto, comparando-se aos resultados anteriores, há uma redução no crescimento das receitas, que pode estar atrelado a uma queda real no nível de preços.

Segundo o IBGE, a utilização dos resultados de 2014 como base de comparação, um ano atípico para o país e a para a economia em geral, pode influenciar os resultados gerais.

          

Economia Capixaba

A reação esboçada pela economia capixaba desde o primeiro trimestre de 2017, após quatro trimestres consecutivos de resultados negativos, parece ter permanecido. No segundo trimestre de 2017, o PIB do Espírito Santo obteve resultados positivos em três das quatro medidas de desempenho, a saber: 1,4% frente ao mesmo trimestre de 2016, 3,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e 1,6% no acumulado do ano. Os dados foram publicados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).

Gráfico 3.2 – Indicador do PIB Trimestral do Espírito Santo

FONTE: Coordenação de Estudos Econômicos – CEE/IJSN. Elaboração própria.

 

Apesar de uma melhora do desempenho da economia capixaba, os resultados devem ser encarados com cautela, uma vez que, são obtidos a partir de uma base de comparação deprimida.  O único resultado negativo foi registrado no confronto do acumulado em quatro trimestres contra os quatro trimestres anteriores.

Em 2017, a economia do Espírito Santo cresceu 1,6%. O resultado foi influenciado, em parte, pela boa performance da indústria, em especial, a indústria extrativa, que teve aumento de 6,9% na produção. A indústria de transformação cresceu 2,1%. O comércio, por sua vez, apresentou queda significativa de 7,7%, no varejo restrito, enquanto o varejo ampliado se manteve estável com variação de 0,2%.

As projeções do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, das dez principais culturas do estado, apenas duas apresentaram variação negativa, em relação à produção apurada em 2016. A pesquisa realiza previsão mensal da produção agrícola para o ano corrente.

A LSPA estima que a produção de café Conilon, em 2017, crescerá 18,3%. Os produtores estão investindo na recuperação das lavouras, após o Estado ter enfrentado condições climáticas adversas, incentivados pelos preços elevados das sacas. O Espírito Santo é o maior produtor da variedade. A produção capixaba corresponde a 57,7% da produção nacional e pode chegar a equivaler 37,6% da produção agrícola do estado.

Segundo a mesma fonte a safra de café Arábica deve cair 14,6%, em 2017. Isso deve ocorrer em consequência da bienalidade, que causa alterações na produtividade das lavouras de café Arábica. Tal característica faz com que em um ano a lavoura produza muito, esgote sua capacidade produtiva e produza menos no ano subsequente. Estima-se que o café Arábica poderá representar 19,5% do total da produção agrícola do Espírito Santo. O estado é o terceiro maior produtor do país.

Outro produto agrícola que se destaca nas previsões de produção para este ano da LSPA é a pimenta-do-reino. Espera-se que, em 2017, a produção dessa cultura tenha a expressiva variação de 190,9%. Isso em virtude da alta dos preços da especiaria, que fez com que produtores optassem pelo plantio da pimenta-do-reino, e também em função da produção baixa em 2016 devido à estiagem que assolou o Estado.

No que concerne ao comércio exterior capixaba, no acumulado do ano de 2017, as exportações exibiram incremento de 25,8%, ao passo que as importações cresceram 14,1%, elevando a corrente de comércio do Estado em 21,9%. Tais resultados positivos denotam a reação do comércio exterior capixaba frente à frenagem da piora da economia brasileira e a um cenário mais favorável da economia global.

Embora a recuperação não seja completa, em decorrência do crescimento baixo de regiões menos desenvolvidas, a economia mundial cresce em ritmo mais acelerado do que em anos anteriores. Estados Unidos, China e União Europeia, que estão inseridos no rol de principais destinos das exportações capixabas, vêm apresentando crescimento estável.

Insta salientar que a melhora dos resultados do comércio exterior também pode estar associada às fortes perdas notadas neste setor em 2016, sendo o crescimento visto agora uma consequência de uma base de comparação baixa.

 

Indústria Capixaba

De acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Regional (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado nos nove primeiros meses de 2017, a indústria capixaba apresentou um crescimento de 3,0%, frente a igual período de 2016, com destaque para a indústria extrativa, que exibiu expansão de 3,8% e para produção de alimentos, com o expressivo aumento de 12,6%.

 

Segundo o relatório metodológico das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, entende-se por indústria extrativa a extração de carvão mineral e de minerais não metálicos, extração de petróleo e gás (inclusive atividades de apoio), extração de minério de ferro (inclusive beneficiamentos e a aglomeração), extração de minerais metálicos não ferrosos (inclusive beneficiamentos).

Destaca-se que tal crescimento da indústria extrativa foi puxado, principalmente, pelos itens de minério de ferro pelotizado. Isso coincide com recorde de produção para um segundo trimestre atingido pelas plantas de pelotização de Tubarão – Tubarão 3, 4, 5, 6, 7 e 8 – que juntas produziram 7.748.000 toneladas, o que corresponde a uma produção 3,1% maior em relação ao trimestre anterior e 16,4% maior do que no mesmo trimestre de 2016, impulsionado principalmente pela melhor disponibilidade e performance da planta Tubarão 8. Embora tenha sofrido ligeira queda (0,9%), a produção de pelotas do sistema sudeste no terceiro trimestre de 2017 (7.700.000 toneladas), permanece em linha com a do segundo trimestre deste ano.

Não obstante as usinas de aço chinesas estejam se preparando o para cortes de produção durante o inverno, segundo dados alfandegários, em setembro de 2017 as importações chinesas de minério de ferro cresceram 11% ante setembro de 2016. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (SECEX/MDIC), o minério de ferro aglomerado por processo de pelotização foi o produto capixaba mais exportado, em setembro e outubro, com participações de 24,9% e 25,07% respectivamente, no total das exportações do Estado.

A fabricação de produtos alimentícios também apresentou resultado bastante relevante (crescimento de 12,6%) em decorrência do aumento da produção de carnes bovinas frescas ou refrigeradas, açúcar cristal e massas alimentícias. No que refere à carne bovina, apesar da Operação Carne Fraca do governo federal, a exportação da carne brasileira parece ter sobrevivido. Isso após a suspensão da importação do produto por inúmeros países, em virtude da deflagração dessa iniciativa.

Papel e produtos de papel e Metalurgia também obtiveram resultados positivos. O primeiro cresceu 2,5%, enquanto o segundo expandiu 0,3%. O destaque negativo ficou por conta de produtos minerais não metálicos, que retraiu 4,2%.

 

Comércio Capixaba

No acumulado dos nove primeiros meses de 2017, o comércio capixaba sofreu retração de 3,6% no volume de vendas, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio, realizada pelo IBGE. Por outro lado, neste mesmo período, o comércio varejista ampliado, que inclui além dos setores do comércio varejista, Veículos, motocicletas partes e peças e Materiais de construção, apresentou variação positiva de 4,5%.

Apesar de ser negativo, o resultado do volume de vendas demonstra uma tendência de recuperação (em julho o indicador acumulado do ano apresentou recuo de 5,0% e em junho, retração 6,2%). Essa suavização das perdas pode ser efeito dos primeiros sinais de estancamento do declínio da economia, com queda nos níveis de desemprego e a atividade econômica apresentando alguma recuperação. Vale destacar a contribuição da liberação dos recursos das contas inativas do FGTS e a desinflação para a melhoria desses resultados. Já a receita nominal apresentou aumento de 2,8%, no varejo ampliado e queda de 3,4% no varejo restrito.

O segmento Móveis e eletrodomésticos obteve melhor desempenho no acumulado de 2017, com crescimento de 14,4%. Esse crescimento foi puxado pelo aumento de 35,0% no volume de vendas de móveis no estado. Tecidos, vestuários e calçados (13,5%) e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (20,4%) também tiveram bons resultados.

No acumulado durante os nove meses de 2017, também se destacou o segmento Artigos farmacêuticos, médicos e ortopédicos, de perfumaria e cosméticos com expansão de 9,3%. O comércio varejista farmacêutico tem apresentado um desenvolvimento acelerado, no estado e em âmbito nacional.

Na contramão dos resultados positivos estão Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com retração de 12,1% e Combustíveis e lubrificantes, retraindo 9,5%. No que diz respeito ao comércio varejista ampliado, nota-se crescimento de 26,1% em Veículos, motocicletas, partes e peças, ao passo que Material de construção recuou 24,5%.