Boletim nº 49 – Outubro de 2013 – Apresentação

A antecipação do processo eleitoral de 2014 trouxe elementos novos para o debate sobre os indicadores da conjuntura econômica no Brasil. Aliado a isso, a radicalização das mobilizações populares urbanas, expressas mais intensivamente no final do último semestre, também ajudou na construção de argumentos pró e contra a política econômica do governo central, em discussões públicas muitas vezes afastadas das reais condições da economia brasileira na atualidade.
Esta edição do nosso Boletim de Conjuntura procura apresentar uma abordagem alternativa ao debate vulgar tradicional. Como pode ser visto, logo na abertura, o Prof. Fabrício de Oliveira nos brinda uma vez mais com uma análise consistente sobre os dilemas colocados pela crise mundial para a economia brasileira. Faz isso apontando as evidências de que, ao contrário do que vem sendo divulgado aos quatro ventos pela mídia convencional, o governo federal exacerba a opção por se embaraçar nas malhas da armadilha especulativa, como forma de financiamento dos déficits gêmeos (nas contas públicas e nas contas externas), amargando sucessivas derrotas na sua cada vez mais problemática obsessão em
promover o crescimento econômico a qualquer custo. 
Para além dos discursos eleitoreiros, da situação e da oposição (que mais e mais se aproximam do realismo cômico de Dias Gomes), fica cada dia mais nítida a trajetória da economia brasileira rumo ao olho do tornado econômico que avassala a Europa, os Estados Unidos e o Japão nos últimos tempos.
Os dados e as análises apresentados em cada seção desta nova edição deixam explícita a precariedade da política econômica federal em todos os flancos, internos e externos. Constituem, assim, uma demostração de que os projetos em disputa (eleitoral), se é que existem como tal, estão muito aquém dos desafios colocados pelas contradições explicitadas pela crise econômica globalizada. Crise que, muitas vezes negada, especialmente por estas bandas do mundo, segue firme, jogando para o ar todas as verdades forjadas no jargão da ortodoxia econômica.
Que esta situação sirva pelo menos para aguçar o senso crítico frente à realidade, cujas manifestações mais recentes insistem em não se adequar às interpretações dos manuais de macroeconomia, por mais que estes sejam adorados por formuladores de política econômica, por analistas da mídia e por boa parte da academia conservadora em todos os cantos.
Façamos, então, um bom aproveitamento desta nova edição do Boletim de Conjuntura.

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