Boletim nº 50 – Março de 2014 – Apresentação

A virada de 2013 para 2014 apontou um ambiente ao mesmo tempo festivo e apreensivo para as forças conservadoras do país. O dúbio tratamento da mídia em relação à Copa do Mundo, às comemorações dos 50 anos do golpe de 64 pelos militares e seus seguidores, aos 20 anos do Plano Real, são mostras de como tem sido o ânimo do momento. Mas, trata-se também da preparação para um ano eleitoral, em que as candidaturas mais citadas pela imprensa não apresentam nada de novo para o eleitorado, prometendo apenas remendos à política que se reproduz desde os tempos de FHC. A tática política parece ser a mesma de anos anteriores: fazer parecer que não há nada que se possa mudar de forma mais radical neste Brasil varonil e que nos resta apenas torcer para que tudo dê certo, mesmo quando tudo parece caminhar para o fracasso.

E por falar do golpe militar de 64, é bom lembrar que na época dos generais o ritmo era o mesmo. Embalados pela máxima de que o Brasil seria uma ilha de tranquilidade em mar revolto, tratavam os clamores das ruas como caso de polícia e avançavam autoritariamente no processo de endividamento nacional. Com os resultados, que só os militares e seus apoiadores de plantão não esperavam, as consequências do crescimento astronômico da dívida pública impõem agora as privatizações de empresas e de serviços públicos, na mesma balada em que dança qualquer perspectiva de se construir algum projeto de nação.

Muito ao contrário, a intensa desnacionalização do parque produtivo nacional está a pleno vapor. Seus resultados se expressam tanto nos indicadores de desempenho econômico como nos registros do Balanço de Pagamentos, que sequer pode contar na atualidade com o outrora badalado superávit na Balança Comercial. O que se vê nesses registros, na verdade, são apenas reflexos da entrega às grandes potências mundiais do comando sobre o destino de um volume gigantesco de riquezas naturais brasileiras, sem qualquer contrapartida real, pois a combinação da armadilha da dívida com a desnacionalização produtiva impõe uma intensa remessa de dólares ao exterior, na mesma direção em que segue o patrimônio natural do país.

Esta edição do nosso Boletim de Conjuntura procura avançar na elucidação desses disparates da economia nacional. E para isso, uma vez mais conta com a análise lúcida do Prof. Fabrício Augusto de Oliveira, uma das poucas vozes a apontar que, por trás da cantilena discursiva do empresariado e dos governantes, este país caminha a passos largos para o xeque mate da especulação absoluta.

Rumamos para o olho do furacão, com a nítida impressão de que vamos experimentar turbulências muito mais avassaladoras do que temos assistido acontecer com as, antigamente, sólidas economias da Europa. A economia brasileira, que nunca foi sólida, explicita agora a sua incapacidade em conduzir autonomamente sua política econômica. Isso é demostrado a cada item analisado neste Boletim, sem exceção, confirmando o quanto se perdeu de poder de decisão, no processo que procurou confundir internacionalizar com desnacionalização. Transferiram o patrimônio e, com ele, os centros de decisão sobre a variável fundamental: o investimento. Agora parece que há pouco mesmo a se fazer.

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