Boletim – Setor Externo (2º semestre 2017)

SETOR EXTERNO

Segundo dados do Banco Central, o saldo do Balanço de Pagamentos brasileiro, no acumulado de janeiro a setembro de 2017, foi de – US$ 3,31 bilhões, valor 44,6% menor do que o auferido no mesmo período de 2016. Isso aconteceu, principalmente, em virtude da diminuição no déficit em Transações Correntes em 2017, equivalente à US$ 2,70 bi, contra –US$ 13,59 bilhões no ano anterior. Esse último comportamento pode ser explicado devido à melhora do superávit da Balança Comercial, de US$ 12,26 bilhões para US$ 26,89 bilhões (Tabela 7.1).

A Conta Financeira, por outro lado apresentou retração nas captações de investimento estrangeiro saindo da captação líquida de US$ 7,40 bilhões, em 2016, para cessão líquida de US$ 0,93 bilhão, o que pode explicar a manutenção do déficit do Balanço de Pagamentos.

Tabela 7.1 – Balanço de pagamentos – acumulado jan-set 2016/2017

 US$ bilhões 

Discriminação Jan-Set 2016 Jan-Set 2017
Transações Correntes -13,59 -2,70
     Balança Comercial 12,26 26,89
     Serviços -21,93 -24,33
     Renda Primária -27,93 -31,31
     Renda Secundária 2,08 1,72
Conta Capital 0,19 0,32
Conta Financeira -7,40 0,93
Erros e Omissões 5,98 3,31
Resultado do Balanço -5,98 -3,31

Fonte: Banco Central Brasil. Elaboração própria.

 

TRANSAÇÕES CORRENTES

O país apresentou uma redução no déficit de Transações Correntes de US$ 10,88 bilhões, comparando-se o acumulado de janeiro a setembro de 2017 com o mesmo período de 2016. Ao se investigar as Transações Correntes, observa-se que a única conta que apresentou melhora foi a Balança Comercial. Se, por um lado, a conta de Renda Secundária manteve-se superavitária, por outro, as demais apresentaram ampliação dos déficits. Através da análise dos dados na série histórica percebe-se que, caso o ajuste externo persista, o superávit em Transações Correntes poderá ser alcançado em breve, sobretudo pelos já destacados resultados da Balança Comercial.

A conta de Transações Correntes do Brasil, historicamente deficitária, apresentou um déficit de US$ 2,71 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2017, uma redução no déficit de 80,1% em comparação com 2016 (Gráfico 7.1).

A balança comercial brasileira, por sua vez, continuou com aumento do superávit. No acumulado de janeiro a setembro de 2017 demonstrou uma melhora significativa, com um saldo de US$ 51,22 bilhões, valor 49,8% maior que o mesmo período de 2016.

 

Gráfico 7.1 – Transações correntes – acumulado de jan-set 2016/2017

US$ bilhões

Fonte: Banco Central Brasil. Elaboração própria.

 

BALANÇA COMERCIAL

A análise da balança comercial é feita a partir da coleta de dados do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). Por ser realizada a partir de fonte diferente, pode apresentar variações em relação àqueles dados encontrados no Balanço de Pagamentos. Os dados cobrirão o acumulado do ano de 2017 até o mês de outubro, comparados com o mesmo período de 2016.

Segundo o MDIC, a Balança Comercial brasileira no período analisado apresentou um superávit de US$ 58,46 bilhões, elevação de 51,8% em relação ao mesmo período de 2016. Este é o maior resultado apresentado desde o início da série histórica do MDIC, em 1989.

Nota-se uma melhora nos valores em dólares correntes de exportação e importação, em 19,9% e 9,1%, respectivamente (Gráficos 7.2 e 7.3). Quanto à corrente de comércio, que é o somatório das exportações e importações, houve uma elevação de 15,3% relativa ao mesmo período de 2016. Isso aponta recuperação das relações comerciais do país com o resto do mundo.

A taxa de câmbio traz impactos para a análise do setor externo e, de acordo com os últimos dados sobre a taxa de câmbio efetiva real brasileira apresentados pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), houve valorização da moeda nacional de 11,5%. Esse dado leva em consideração os principais parceiros comerciais brasileiros e suas respectivas taxas de inflação, sendo uma média do acumulado até setembro de 2017 com relação ao mesmo período de 2016.

Com a valorização da moeda nacional há tendência de que os produtos brasileiros se tornem mais caros no mercado externo, e exportações apresente elevação. Tal fato se deve ao crescimento da comercialização principalmente de produtos básicos, que são pouco sensíveis às variações cambiais, por se tratarem de produtos que dependem, principalmente, de fatores externos, como a demanda e preços, que são negociados nos mercados internacionais.

Gráfico 7.2 – Exportações – valores mensais – janeiro de 2016 a outubro de 2017 – US$ bilhões FOB

Fonte: MDIC. Elaboração própria.

 

As exportações podem ser apresentadas por fator agregado, que agrupa os produtos em três grandes classes, sendo considerada uma maior ou menor agregação de valor que o bem sofreu desde o início do seu processo de produção até a etapa final. Os produtos básicos têm menor valor agregado. Os semimanufaturados são os que sofrem pouca transformação industrial e os manufaturados são produtos de maior transformação industrial, logo, de maior valor agregado, como é o exemplo dos automóveis e máquinas.

Houve aumento das exportações no período destacado, quando comparado ao mesmo período de 2016. Porém, através do Gráfico 7.2 percebe-se certa estabilidade na trajetória das exportações ainda que em patamar mais elevado. A melhoria das exportações foi puxada, principalmente, pela comercialização de produtos básicos, que cresceu 28,2%. Esse aumento está relacionado não somente ao aumento dos preços médios (19,0%), mas também ao aumento da quantidade exportada (7,7%).

Dentre os principais produtos básicos, a variação mais relevante foi a de soja mesmo triturada, que apresentou aumento na quantidade exportada de 25,8%, seguido por óleos brutos de petróleo, aumento de 32,2%, com variação de preços médios de 34,1%. Minérios de ferro e seus concentrados, apesar de não apresentarem grande ascensão na quantidade exportada (3,0%), demonstraram elevação significativa em US$ FOB (57,0%), devido ao aumento dos preços médios (52,4%).

As exportações de semimanufaturados cresceram em 15,0%, principalmente por conta dos valores totais das exportações em US$ FOB dos semimanufaturados de ferro ou aços (55,6%) e do açúcar de cana em bruto (19,3%). Esse resultado foi alcançado, sobretudo, pela elevação dos preços médios em 33,1% e 16,5%, respectivamente. No caso de ferros ou aços também houve elevação da quantidade exportada em 16,9%, enquanto que no açúcar de cana o aumento foi menos expressivo, em 2,4%.

Os produtos manufaturados também apresentaram melhoria nas exportações, com um acumulado de US$ 66,20 bilhões, que representou elevação de 12,1%. Esse desempenho se deve, essencialmente, ao aumento em 52,7% da quantidade de automóveis de passageiros exportada, que possui como destino principal a Argentina e representa 69,9% da participação nesse item. Do mesmo ramo dos veículos automotores, veículos de carga apresentou aumento em suas exportações de 39,8% ao passo que os aviões foram reduzidos em 17,9%.

Em relação às transações comerciais entre Brasil e Argentina, no período em análise, houve elevação de 31,8%, frente ao mesmo período de 2016. Manteve-se, assim, sua posição de maior parceiro comercial do Brasil na América Latina e de terceiro país mais relevante (7,9%), se comparado com as demais economias mundiais, como a China (22,5%) e os EUA (12,1%).

Vale ressaltar a importância do acordo de comércio automotivo entre o Brasil e a Argentina, que foi prorrogado até 2020, de acordo com o MDIC. Ele mantém as expectativas de crescimento das relações comerciais entre os dois países e, também, dos esforços que vem sendo tomados para o fortalecimento das relações comerciais regionais.  Em setembro de 2017 foi promovida a V Reunião da Comissão de Produção e Comércio entre Brasil e Argentina. Seu intuito foi o de garantir o dinamismo da integração entre os países e das oportunidades de negócios bilaterais.

Esse desempenho revela o avanço do caráter dependente que a balança comercial brasileira apresenta frente ao mercado de commodities. Isso pode ser confirmado, também, quando se observa que na lista dos dez principais produtos exportados pelo Brasil, haja vista que os únicos manufaturados são os automóveis de passageiros.

Gráfico 7.3 – Importações – valores mensais – janeiro de 2016 a outubro de 2017 – US$ bilhões FOB

Fonte: MDIC. Elaboração própria.

 

As importações, no acumulado do ano até outubro de 2017, apresentaram ampliação em relação ao mesmo período em 2016, porém em proporção menor do que as exportações. Apesar dos resultados quantitativamente melhores, ao se verificar a composição da importação brasileira e sua tendência, é possível visualizar elementos que apontam para uma condição desfavorável para o país.

A importação de bens de capital, que já apresentava redução relativa a períodos anteriores, manteve sua trajetória em 2017, manifestando uma queda de 15,5% em relação ao mesmo período de 2016. Este fato é reflexo da baixa recuperação do nível de atividade brasileiro e, principalmente, das expectativas desfavoráveis de investimento.

A Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), desde julho de 2017, tomou medidas para reduzir os custos de investimentos através da desoneração da atividade econômica produtiva. Para tanto, reduziu à zero os impostos de importação sobre bens de capital e bens de informática e telecomunicações que não são produzidos no Brasil, considerados em regime de ex-tarifários, porém a efetividade ou não dessa política só poderá ser verificada futuramente.

Para além da queda na importação dos bens de capital, houve crescimento na importação de combustíveis e lubrificantes (38,6%), bens intermediários (11,1%) e bens de consumo (6,2%).

Ressalta-se a relação entre a exportação de óleos brutos de petróleo, que aumentou 77,2% em dólares correntes e o resultado da importação de combustíveis e lubrificantes descrito acima. Conforme comparação nota-se maior dependência da importação dos setores relacionados com o refino de petróleo.

O aumento da participação das importações do setor de refino de petróleo pode ser entendido como um reflexo da política de preços da Petrobrás, que os tornou elevados no mercado interno se comparado aos preços internacionais. Essa perda de competitividade, portanto, levou à redução ainda maior da operação das refinarias internas. Ademais, estas medidas tendem a facilitar a entrada de agentes externos no mercado de combustíveis brasileiros e atrair interesse sobre suas refinarias, tendo em vista que, segundo notícias veiculadas na mídia, a Petrobrás pretende incluí-las no plano de venda de ativos ainda em 2017, constituindo uma das operações do plano de desinvestimento da empresa.

Quanto aos resultados apresentados pelas importações brasileiras, há reafirmação da fragilidade que a recuperação econômica interna apresenta e, atrelada à composição da exportação, majoritariamente de produtos básicos, explicitam a vulnerabilidade comercial que o Brasil apresenta perante o mercado mundial.

SERVIÇOS E RENDAS

O Brasil apresentou aumento no déficit da Renda Primária, que representa a remuneração dos fatores de produção entre residentes e não residentes, como juros, lucros e aluguéis. Comparando-se o acumulado de janeiro a setembro de 2017 com o mesmo período do ano anterior tem-se um aumento de 12,1% no déficit, atingindo o um saldo negativo de US$ 31,32 bilhões em 2017. Esse crescimento é explicado, principalmente, pelos aumentos dos déficits de lucros e dividendos (17,2%) e juros (7,9%) e redução do superávit de remuneração de empregados (12,3%) (Gráfico 7.4).

A Renda Secundária, antiga Transações Unilaterais, ou seja, transações entre residentes e não residentes sem contrapartida, também apresentou uma redução em seu saldo. Ela continuou superavitária, porém com um decréscimo de US$ 0,36 bilhão, ou seja, de US$ 1,72 bilhões, em 2017, contra US$ 2,08 bilhões, em 2016. Apesar de apresentar um valor pouco expressivo, quando comparado com as demais contas, trata-se de uma redução de 17,3%.

Assim como a conta de Renda Primária, a conta de Serviços alcançou uma expansão em seu déficit em 10,9% nos períodos em comparação, atingindo – US$ 24,33 bilhões em 2017.

 

Gráfico 7.4 – Conta Serviços e suas rubricas – acumulado jan-set 2016/2017 – US$ bilhões

Fonte: Banco Central Brasil. Elaboração própria.

 

Aluguéis de equipamentos, que tradicionalmente apresentam maior peso dentro da conta de Serviços, manifestaram uma melhora em seu saldo no período em análise. No acumulado de 2017 houve um saldo de –US$ 12,34 bilhões, ou seja, valor 14,9% menor que o do mesmo período do ano de 2016

A conta Viagens teve um aumento em seu déficit de 68,3% na comparação de igual período, atingindo montante de –US$ 9,78 bi em 2017. Tal variação pode ser explicada por uma redução de 6,6% nas receitas e um aumento de 35,0% nas despesas nessa conta. Isso representa um aumento de gastos de brasileiros no exterior e uma queda de gastos de estrangeiros em território brasileiro, o que pode estar relacionado com a retomada, ainda que limitada, do consumo, principalmente pelos estratos mais elevados de renda, bem como pela valorização cambial.

A conta de Transportes, por sua vez, apresentou uma ampliação em seu déficit. No acumulado de janeiro a setembro de 2017 esse item apresentou um déficit de US$ 3,51 bilhões, valor 31,4% maior que o déficit do ano imediatamente anterior.

 

CONTA CAPITAL E FINANCEIRA

A Conta Capital, por registrar um volume pouco significante de transações, não é de grande relevância para a análise de conjuntura. A Conta Financeira, por outro lado, registra quase que a totalidade das transações financeiras do Brasil com o restante do mundo e é, por isso, o objetivo central dessa análise.

Na comparação entre o acumulado de janeiro a setembro de 2016 com o mesmo período de 2017 observa-se que o saldo total (montante em que as captações superam as concessões) da conta financeira caiu de U$ 7,41 bilhões para US$ -0,92 bilhão, ou seja, houve cessão líquida de capital estrangeiro no período mais atual.

As captações via Investimento Direto aumentaram entre os períodos analisados, de US$ 48,82 bilhões ante US$ 39,84 bilhões (um aumento de 22,5%). Todavia, elas não foram suficientes para cobrir o aumento no déficit nas concessões via Outros Investimentos em 2017, equivalente a US$ 31,66 bilhões, contra um déficit de US$ 9,76 bilhões em 2016; bem como a conta ainda deficitária em Investimentos em Carteira, saldo de –US$ 6,71 bilhões, em 2017, ante –US$ 15,88 bilhões, em 2016. Além disso, a redução nas captações líquidas via Derivativos, com US$ 0,13 bilhões ante US$ 1,49 bilhões o aumento dos Ativos de Reserva, com US$ 11,50 bilhões ante US$ 8,32 bilhões contribuíram também para a redução do saldo da conta financeira (Tabela 7.2).

Tabela 7.2 – Captações de investimento estrangeiro – acumulado jan-set 2016/2017 – US$ bilhões

Descrição Jan – Set 2016 Jan – Set 2017
Conta Financeira (captação – concessão) 7,41 -0,92
Investimentos Diretos (captação – concessão) 39,84 48,82
Investimentos em Carteira (captação – concessão) -15,88 -6,71
Derivativos (captação – concessão) 1,49 0,13
Outros Investimentos (captação – concessão) -9,72 -31,66
Ativos de Reserva* -8,32 -11,50

Fonte: Banco Central Brasil. Elaboração própria.

Variações autônomas do nível de reservas (que independem do resultado do balanço de pagamentos), como a observada no período, são, em sua maioria, explicadas por operações compromissadas de recompra, levadas a cabo pelo Banco Central, de títulos indexados em dólar como swaps cambiais. Já a variação observada na conta Outros Investimentos é explicada, principalmente, pela maior concessão de empréstimos e adiantamentos comerciais (Tabela 7.3).

 

Tabela 7.3 – conta Outros Investimentos detalhada – acumulado jan-set 2016/2017 –US$ bilhões

Descrição Jan – Set 2016 Jan – Set 2017
Outros Investimentos (captação – concessão) -9,72 -31,66
Outras participações em capital (captação – concessão) -0,17 -0,01
Moeda e Depósitos (captação – concessão) -2,63 -1,43
Empréstimos (captação – concessão) 0,73 -10,11
Seguros, Esquemas de pensão e fundos de garantia (captação – concessão) 0,05 0,09
Créditos comerciais e adiantamentos (captação – concessão) -7,87 -20,15
Outras contas a pagar/receber (captação – concessão) 0,16 0,03

Fonte: Banco Central Brasil. Elaboração própria.

 

Ao detalhar a conta de Investimento Direto percebe-se que a elevação do saldo nos períodos analisados não foi resultado da instalação de nova capacidade produtiva no Brasil. Ela representou, em primeiro lugar, a compra de participação acionária por parte de investidores estrangeiros. Isto é percebido através da elevação do volume da conta Participação no capital – total – passivo (que expressa a quantidade de capital nacional que foi comprada por estrangeiros) que se elevou para US$ 40,19 bilhões ante US$ 33,80 bilhões, o que denota o avanço da desnacionalização do parque industrial brasileiro.

E, em segundo lugar, a elevação do investimento direto é fruto da perda de participação acionária por parte de brasileiros no exterior, como mostra o menor volume da conta Participação no capital – total – ativo (que expressa a quantidade de capital estrangeiro comprada por brasileiros), com US$ 2,94 bilhões ante US$ 7,33 bilhões (Tabela 7.4).

Tabela 7.4 – Participação no capital (ativo e passivo) – acumulado jan-set 2016/2017 – US$ bilhões

Descrição Jan – Set 2016 Jan – Set 2017
Participação no capital – total – passivo 33,80 40,19
Participação no capital – total – ativo 7,33 2,94

Fonte: Banco Central Brasil. Elaboração própria.

 

A redução das captações, expressa pela piora do saldo da conta financeira, sempre incita debates acerca de uma possível “fuga de capitais”, muito embora este tema não esteja circulando nos veículos da mídia. A análise anterior do investimento direto, no entanto, não corrobora essa asserção – apesar de evidenciar outros problemas, conforme discutido anteriormente. Uma análise mais aprofundada da conta Investimentos em Carteira deve também contribuir para elucidar essa questão.

Através da Tabela 7.5 observa-se que o movimento de redução do saldo dos investimentos em carteira acontece em virtude de um aumento dos Investimentos em carteira — ativos, ou seja, investimentos de brasileiros no exterior, com US$ 8,90 bilhões ante – US$ 0,11 bilhões. Apesar de uma elevação na captação de investimentos do exterior — expressa através da conta Investimentos em Carteira – passivos, que atualmente está em US$ 2,18 bilhões ante – US$ 16 bilhões em 2016. Ou seja, o movimento está mais atrelado à saída de capitais de origem brasileira do que os de origem estrangeira (Tabela 7.5).

Tabela 7.5 – Investimentos em carteira (ativos e passivos) – acumulado jan-set 2016/2017 – US$ bilhões

Descrição Jan – Set 2016 Jan – Set 2017
Investimentos em carteira – ativos -0,11 8,90
Investimentos em carteira – passivos -16,00 2,18

Fonte: Banco Central Brasil. Elaboração própria.

 

COMÉRCIO EXTERIOR CAPIXABA

O saldo comercial capixaba, que representa a diferença entre exportações e importações do comércio de bens e serviços do Espírito Santo com o resto do mundo, somou US$ 2,87 bilhões no acumulado de janeiro a outubro de 2017, valor 25,5% superior ao mesmo período do ano de 2016.

No acumulado até outubro, as exportações capixabas apresentaram um aumento de 26,5%, em relação ao mesmo período de 2016. O valor das exportações passou de US$ 5,24 bilhões para US$ 6,62 bilhões (Gráfico 7.5).

Em relação à composição das exportações, por fator agregado, os produtos básicos apresentaram um aumento de 53,6%, somando US$ 2,91 bilhões. Em 2016 o Estado enfrentou forte crise hídrica e sofreu com os impactos ambientais no Rio Doce causados pelo rompimento da barragem da SAMARCO, em Mariana/MG. Os semimanufaturados também indicaram um crescimento em relação a igual período de 2016, com 26,9%. Os manufaturados, por outro lado, registraram uma queda de 2,1%.

 

Gráfico 7.5 – Exportações capixabas – valores mensais – janeiro de 2016 a outubro de 2017 – em US$ milhões FOB

Fonte: MDIC. Elaboração própria.

 

O principal produto na pauta de exportação capixaba foi minérios de ferro aglomerados, representando 25,1% do total valor exportado, num montante de US$ 1,66 bilhões no período em análise. Em seguida, pasta química de madeira (12,9%), Oléos brutos de petróleo (11,7%) outros produtos semimanufaturados do ferro/aço (11,2%), outros granitos trabalhados (7,9%), outros tubos flexíveis de ferro ou aço (5,3%), produtos semimanufaturados de outras ligas de aço (3,6%), e café em grão (2,9%).

Dentre os principais destinos das exportações capixabas, encontram-se os Estados Unidos (34,9%), Países Baixos (Holanda) (7,6%), China (4,9%), Argentina (4,7%) e Itália (3,9%). Comparativamente ao mesmo período do ano anterior, cabe destacar que os Estados Unidos elevaram sua participação em 6,5 p.p. ao passo que os Países Baixos (Holanda) reduziram em -7,9 p.p..

Por outro lado, no Espírito Santo as importações registraram US$ 3,76 bilhões, de janeiro até outubro de 2017, aumento de 27,3% se comparado com o mesmo período do ano imediatamente anterior (Gráfico 7.6).

Por grandes setores das contas nacionais, observa-se um crescimento de 132,2% em combustíveis e lubrificantes. As importações de bens de capital elevaram-se em 45,0%, o que pode ser explicada pelo desempenho de equipamentos de transporte de uso industrial (368,4%). Os bens de consumo reduziram-se em 3,5%, sendo puxada pelos bens de consumo duráveis (-9,5%). Os bens intermediários, por sua vez, tiveram queda de 4,1%.

 

Gráfico 7.6 – Importações capixabas – valores mensais – janeiro de 2016 a outubro de 2017 – US$ milhões FOB

Fonte: MDIC. Elaboração própria.

 

A China, com US$ 712,25 milhões, ocupou o primeiro lugar na lista dos principais países que o estado mais importou, ultrapassando a economia estadunidense. Logo após os EUA, com US$ 663,82 milhões, e, por sequência, a Austrália, com US$ 433,19 milhões. Por blocos econômicos, a principal região que exportou para o Espírito Santo foi a Ásia (exclusive Oriente Médio), com 29,9%.

Os principais produtos importados no acumulado de janeiro a agosto de 2017 foram: Hulha betuminosa (US$ 958,77 milhões), Automóveis (US$ 169,45 milhões), outros aviões/veículos aéreos (US$ 148,81 milhões) e leite integral (US$ 78,52 milhões).

Por fim, cabe lembrar que o Estado do Espírito Santo dispõe de portos que funcionam como receptores de produtos internacionais que são distribuídos para outras partes do território nacional, irrigados por meio de incentivos fiscais. Isso justifica a singularidade de certos itens da pauta de importação capixaba frente à estrutura de consumo interna do Estado.