Setor Externo – Análise de Conjuntura

Setor Externo – Análise de Conjuntura – 2º Semestre de 2016

Antes de iniciar a análise pormenorizada de cada conta do Balanço de Pagamentos, que registra as transações econômicas entre residentes no país e não residentes, destaca-se o fato de que o Brasil vem obtendo déficits em Transações Correntes desde o quarto trimestre de 2007. Disso decorre que a Conta Capital e a Conta Financeira ficam responsáveis por financiarem esses déficits através da captação de investimento estrangeiro e, quando isso não ocorre, incorre-se em um déficit no saldo do Balanço de Pagamentos. É isso o que vem ocorrendo, consecutivamente, no Brasil desde o segundo trimestre de 2015.

Assim, o panorama das contas externas, comparando o acumulado do período de janeiro a agosto de 2016 com o mesmo período de 2015, observa-se que o déficit registrado no saldo do Balanço de Pagamentos aumentou de US$ 1,28 bilhão para US$ 5,32 bilhões. Isto apesar da redução no déficit em Transações Correntes, que no mesmo período, passou de –US$ 46,16 bilhões para –US$ 13,11 bilhões. Tal fato aconteceu porque o saldo da conta financeira diminuiu no período analisado, de –US$ 44,63 bilhões para –US$ 7,63 bilhões, de forma que os recursos entrantes não foram suficientes para cobrir o déficit nas transações correntes.

A conta de Transações Correntes apresentou um menor déficit no acumulado de janeiro a agosto de 2016 (– US$ 13,12 bilhões), frente – US$ 46,16 bilhões verificado no mesmo período em 2015. Nessa comparação houve uma redução de 71,6% no déficit em relação ao período anterior.

A melhora no saldo comercial aconteceu em momento de recessão na economia brasileira e continuação da crise estrutural do capital. Com redução da renda nacional, a trajetória foi de uma diminuição da demanda por produtos e serviços importados. A manutenção do dólar em um patamar elevado contribuiu para a que ocorresse uma estabilidade da rentabilidade das exportações em moeda nacional, compensando os efeitos da queda dos preços dos produtos de exportação.

Vários foram os fatores, de origem interna e externa, que levaram à diminuição das captações brasileiras ao longo de 2016. No plano internacional pode-se citar, por exemplo, os efeitos ainda persistentes da crise econômica mundial. No plano interno, pode-se citar a persistência da recessão econômica brasileira, além da instabilidade no plano político.

Clique aqui para acessar o arquivo completo